Qualidade não é predita por seca ou calor
 

Entre fevereiro e março, na região serrana, se concentra o período de maturação das vinhas mais precoces, que existem hoje basicamente as cultivares Chardonnay e Pinot Noir com interesse comercial, além de algumas existentes em coleções da Epagri ou de algum grupo privado. Logo em março, se dá a maturação alcoólica das demais cultivares, nomeadamente nas regiões mais baixas e mais quentes cujo ciclo se encerra no início de maio, época do final da vindima em São Joaquim e região.
Atualmente, é muito claro o conceito de maturação alcoólica e maturação fenológica. A primeira ocorre quando a uva concentra a maior quantidade de açúcar na uva, que, pela fermentação se converterá em álcool. A segunda, quando as flavonas e outros fenóis responsáveis pela pigmentação, pelos taninos e pela formação dos ácidos se completam, pois, apesar de acompanharem, sua maturação não coincide com a maior concentração de açúcares.
Como se sabe, a qualidade da uva colhida é o fator mais importante para a qualidade do vinho.  Muito pouco ou quase nada se sabe sobre o comportamento fenológico das diversas cepas já implantadas na região, especialmente o tempo requerido para que se determine com alguma segurança o hiato de tempo necessário à sua completa maturação ou maturação fenológica.
É essa, a maturação que importa ao produtor de vinho. A composição química da uva e às inúmeras e complexas substâncias depende de fatores, como o clima e o micro-clima onde está o vinhedo; o tipo de solo, quanto a sua composição física e química; a idade do vinhedo; o tipo de poda; o sistema de condução empregado; a densidade de plantas no vinhedo e o manejo do dossel vegetativo. È seu conjunto que determinará a qualidade do vinho a que um produtor se dispõe a fazer.
Há anos em que se fala muito e também se escreve demais que a safra será excelente pelo fato de ocorrer um verão quente e seco.  Contudo, as maiores safras dos últimos 20 anos na Europa, certamente continuarão sendo as de 1982, 1994 e 2001, apesar de tudo o que se falou e se escreveu no verão europeu de 2003.
Verões quentes exceto para a economia em aplicação de fungicidas, e para os que distinguem os vinhos brancos dos tintos, o efeito de verões excessivamente quentes serão ou poderão ser um problema para o vinhedo e para a vindima do ano ou da vindima subseqüente.

Francisco Assis de Brito –Diretor Administrativo da ACAVITIS.


   

   
   
 
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Imagens por: Photographic, José Eduardo Bassetti, Sanjo, Villaggio Grando, Pisani & Panceri, Quinta São Francisco, Quinta da Neve, Vinícola Suzin.